Ausências

Bem, meses passaram e eu não sabia o que escrever, como escrever e para quem escrever.

O vazio tomou conta de mim e toda aquela inspiração foi-se num ápice junto com o sentimento de falta que apareceu no meu coração.

Sinceramente tudo à minha volta parece que seguiu em frente e eu fui a única que continuou no mesmo sitio. A tentar perceber o porquê. A esperar alguma mudança. A pensar que tudo não passa de uma ilusão na minha cabeça.

Mas a verdade é que já não estás cá. As roupas já foram dadas. A casa está diferente. Mais vazia. Mais fria. Sem ti.

A vida seguiu, as pessoas continuaram as suas vidas. Sem ti. E eu não consigo perceber como. Novamente.

Como é que se espera que as coisas estejam ou fiquem normais quando uma das pessoas que nos fez ser quem somos vai embora, do nada?

Como é que se espera que se compreenda o mundo se tudo  nossa volta fica sem sentido durante muito tempo e um grande vazio toma conta de nós?

Como é que se espera que tudo fique bem quando uma parte de nós vai embora sem avisar e tudo o que resta é um lugar vazio na mesa e uma memória daquela pessoa?

Como é que se preenche o escuro que tomou conta de mim quando tu eras uma parte da luz da minha vida?

Eu sabia lidar com a saudade, por ter a vida que escolhi, eu só não sabia lidar com o sentir falta eternamente. Já não conseguir ouvir a tua voz ao telefone, já nao ter o teu abraço quando te ia visitar, já não receber as palavras certas na minha hora mais escura.

Sinceramente ainda não consigo lidar com isto. Não consigo lidar com a saudade e a falta que me fazes Avó. A dor todos os dias está presente em mim mas tal como a vida segue, eu também tenho de seguir. Com dificuldade. Com um esforço tão grande.

A verdade é esta, eu não consegui fazer o luto, não consegui desligar, obriguei-me a mim mesma a trabalhar mais horas na esperança que a tristeza fosse adormecida mas quando se chega a casa e se sente um grande vazio, a tristeza volta acompanhada pela dor.

E é nestas alturas que eu sei que não sou de ferro, que pareço uma miúda pequena e que quero que tudo volte a ser o que era. Contigo aqui!

Santana A. – 08/09/2017

 

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