As palavras que guardei no baú

Foram palavras guardadas por meses. Palavras essas que deveriam ter sido ditas na hora certa, mas que por algum motivo não foram ditas. Palavras que foram guardadas porque me tinha dado conta que não as escutavas. Só as tuas valiam. As minhas não. Por isso, passei meses sem me expressar.

Hoje sei que isso não adiantou de nada. Hoje vejo-me sozinha e a construir aquilo que outrora tinhas destruído aos poucos. O meu eu, o meu orgulho, o meu ego, a minha personalidade. Tinhas-me moldado à tua medida. E eu deixei. Talvez por gostar de ti de uma forma absolutamente ridícula e incompreensível. E olhando para trás, sei que esse foi o meu maior erro. Não falar. Não ter batido o pé. Não discutir e aceitar tudo e justificar todos os teus erros. Pedir-te desculpa mesmo quando o erro vinha da tua parte. Lembro-me perfeitamente que davas a volta ao assunto de tal forma, que eu me calava e pensava que tinhas razão. Fizeste-me à tua maneira e mesmo assim não estavas contente. Foste embora e eu pela primeira vez em muito tempo olhei-me ao espelho e não me reconheci. Já não era a mesma pessoa. Sentia falta de mim mesma. Sentia a tua falta. Chorei desalmadamente. Mas sei que isso foi necessário para me dar conta de que precisava de mim mesma e não de ti nem dos outros. Que deveria contar comigo mesma e construir o meu castelo porque numa hora ou outra, todos acabam por partir e nós precisamos do nosso refugio. Eu tinha o meu refugio, eras tu. E no final de contas, tu foste um péssimo apoio.

Agora, vou-te dizer algumas das coisas, que deveria já ter dito à muito tempo. Não me leves a mal, mas acho que ambos sabemos que é justo que o faça. Preciso que saibas que te esqueci e que está a ser mais fácil agora escrever sem ter lágrimas a correr pela minha cara. Quero que saibas que já não adiantam meias promessas, meias palavras, meio carinho, meio amor, meio seja o que for, eu mereço mais que isso, mereço tudo por inteiro e ambos sabemos disso. E sabemos também que tu nunca foste capaz de o fazer por inteiro.

Eu dei o meu melhor. O meu amor, o meu companheirismo, o meu carinho, a minha atenção e tu nunca conseguiste responder da mesma forma. O meu eu todo não chegou, isto porque não era a mim que querias ter ao teu lado. Lá no fundo não sei se tentaste de verdade, mas obrigada na mesma. Pelo menos assim, sei que o amor não se suplica, não se pede nem se exige. O amor acontece e não há barreiras que não possam ser ultrapassadas.

Não te posso dizer que te odeio. Odeio é o facto de teres usado meias palavras, meios sentimentos, meias emoções, meios momentos que podiam ter sido perfeitos. Odeio o facto de não te teres esforçado para me ouvires. Odeio que me tenhas feito chorar dias e dias com a desilusão que me deste. Odeio o facto de saber que podias ter sido mais e dado mais de ti e não deste como eu fiz em relação a ti.

Hoje sei que o meu maior erro, foi ter-te aceitado na minha vida, dar-te passe livre, ter acreditado em ti e fazer de ti uma parte essencial na minha vida quando eu na tua era só mais uma. Sem qualquer importância.

Sinceramente até te desejo o melhor, embora saiba que como eu não terás ninguém e espero que um dia me vejas feliz, sorridente, com alguém do meu lado que mostre que gosta verdadeiramente de mim.

bau

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