E tudo o vento levou

Sabes, foram precisos meses.

Meses em que senti a tua falta. Que engoli em seco todas as coisas que me dizias. Que te fui esquecendo. Devagarinho. 

Meses esses que trouxeram para mim a única conclusão possível. A de que nunca, na verdade, fomos melhores que isto.

Quando digo isto, falo dos sonhos, dos planos, das palavrinhas bonitas que de vez em quando eram ditas, dos abraços, do sentimento de pertença e de segurança.

Foi o isto, que se foi embora, do nada, de repente. E foi por isto, que não fomos os melhores. Nunca o seriamos. Hoje tenho consciência disso.

Podia dizer que fizemos tanto, que demos tanto um ao outro mas ambos sabemos que isso não é inteiramente verdade.

Sabes aquela sensação de segurança? Aquela sensação de “eu não vou desistir de nós?“, foi-se embora, assim como tu foste. Do nada. E eu fui obrigada a voltar a endireitar a minha vida. Sem ti desta vez. E sabes, não foi uma semana, não foram duas, foi um mês a sentir a tua falta constantemente. E sabes? Naquela altura, eu precisava de ti mas tu nunca te apercebes-te disso, foste embora. Por isso, passado aquele mês recusei-me a voltar a lamentar-me pelo que podia ter sido e não foi e o que poderia ter feito e não fiz, recusei-me a sentir a tua falta de novo.

Reergui-me aos poucos.  Voltei a ser eu aos poucos. Fui curando o meu orgulho, o meu coração e o resto.

Se mudei? Claro que sim. Vai-se aprendendo muito quando se sofre.

Acredita que de uma maneira ou outra, tu mudas.

Mesmo que não queiras.

Não há muito mais a acrescentar, a não ser que passado este tempo todo, posso dizer que estás bem perto de pertencer ao meu passado.

dentedeleao vento

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